A exposição que a Porta 33 dedica a Paulo David, arquitecto que nasceu, vive e trabalha na Ilha da Madeira, desdobra-se em vários tempos, num caminho que conduz do cheio ao vazio, da matéria ao ar, surgindo em articulação e diálogo estreito com o Seminário Mais importante do que desenhar é afiar o lápis. A primeira montagem, que inaugura no dia 24 de novembro, apresenta-se em forma de arquivo e reúne um extenso conjunto de maquetas de projectos realizados ou por realizar, no território madeirense ou para além dele, e propõe ao visitante uma reflexão sobre a natureza do lugar (enquanto entidade histórica, antropológica, geológica e geográfica) e a maneira como sobre ele intervir. A segunda montagem centra-se na apresentação do trabalho de refundação urbana desenvolvido no âmbito do Gabinete da Cidade, activado, por iniciativa do Município, após o grande incêndio que destruiu parte do Funchal. Pensar, em tempo de muitas crises, a arquitectura como prática ecológica, que subtrai mais do que acrescenta, que tem a capacidade de veicular um pensamento em negativo, de trazer o vazio para o centro da reflexão sobre o espaço urbano, criando um desígnio para a configuração da cidade.

Inauguração da segunda montagem: 9 de Março de 2019

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Paulo David nasceu no Funchal. Diplomado pela Faculdade de Arquitectura, UTL, Lisboa. Pelo percurso do seu atelier, recebe referências que destaca como o texto de José Tolentino Mendonça “Saber ouvir os lugares” e o de Valter Hugo Mãe “Falar com os vulcões. Recebeu a sua maior distinção com a Medalha Alvar Aalto atribuída em Helsínquia; a sua obra foi considerada pelo júri como: “enraizada localmente, mas ao mesmo tempo universal. É um lembrete que a arquitectura pode ser calma, serena, lírica, poderosa e distante do espectáculo.”; e o Prémio AICA | da Associação Internacional de Críticos de Arte/Ministério da Cultura “pela vitalidade da sua obra pública no contexto insular, nacional e internacional ”; É convidado para as exposições: “Global Ends – Towards the Beginning” na Gallery Ma em Tóquio, para assinalar o 25º aniversário da galeria; “Inverted Ruins” que integrou a 15ª Bienal de Arquitectura de Veneza; “Contemplating the Void no Museu Guggenheim em Nova Iorque, 2010, comemorativa do 50º aniversário do Museu de Frank Lloyd Wright; “Paisagem como Arquitectura” na Garagem Sul do CCB, Lisboa, em 2015. Em 2017 integrou o Option Studio, Cornell University College of Architecture, N Y, como professor gensler. Desde 2016 é professor convidado na Scuola di Architettura, Polo di Mantova, Politecnico di Milano, Italia. Como complemento da sua actividade, é interventor, criando um Laboratório de Arquitectura_Atelier Funchal, centrado em temas emergentes da sua cidade. Fundou e coordenou um atelier urbano denominado “Gabinete da Cidade” como consequência dos grandes incêndios ocorridos no Funchal no verão de 2016.

Nuno Faria (Lisboa, 1971) Curador. Actualmente é director artístico do CIAJG - Centro Internacional das Artes José de Guimarães. Entre 1997-2003 e 2003-2009 trabalhou no Instituto de Arte Contemporânea e na Fundação Calouste Gulbenkian, respectivamente. Viveu e trabalhou no Algarve entre 2007 e 2012 onde, entre outros projectos, fundou (em Loulé, em 2009) o projecto Mobilehome - Escola de Arte Nómada, Experimental e Independente. É professor na ESAD - Escola de Artes e Design das Caldas da Rainha.

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