Influenciado pelo minimalismo americano da década de 60, o trabalho de Pires Vieira cedo envereda até meados de 76 por um caminho que persegue uma via analítica dos constituintes da prática da pintura, bem mais de vertente europeia, e bastante mais próxima duma análise estruturalista que percorria o pensamento teórico das várias áreas das ciências humanas, nesse período.


Essa via analítica da prática pictórica, que se evidencia inicialmente pela análise do suporte, envereda seguidamente para a problemática da côr, que termina se assim se poderá dizer, nas telas monocromáticas de saturação máxima dos seus pigmentos, bem evidentes nas pinturas de 1976.


A voluntária ausência de produção entre este último ano e 1982, ano em que retoma para logo finalizar, os trabalhos analíticos deixados "em suspenso" na década anterior, vai dar seguimento a toda uma produção que se desenvolve por séries fechadas, mas de fácil percepção do encadeamento que estabelecem entre elas, nas quais se introduzem agora, num acompanhamento oficinal originado nas experiências analíticas da côr, componentes de ordem narrativa e até memorial (vs. "Regresso a Sefard").


É a vertente narrativa que ao impôr o seu discurso, anula por exaustão, qual companheiro de viagem já gasto pelo tempo, a componente pictórica, impondo uma linguagem sintética e minimalista, com valores narrativos fortes e auto-referenciais. (vs. "Aproximação a um Inventário dos Desejos Reprimidos").


O trabalho actual do autor, que preserva a componente serial nas exposições que vem apresentando, privilegia a montagem / instalação, vindo a introduzir recentemente nalgumas obras, a imagem em movimento (vs. Video), entendida esta não como um objecto acabado com uma autonomia própria e total, mas integrada em objectos/instalações que a recebem na perspectiva da sua funcionalidade, pela acentuação dum sentido ou dum alargamento de linguagem.


É pela componente narrativa e auto-referencial, mas também pelas várias, múltiplas e subtis pontes que estabelece com a arte dos últimos 50 anos, que valerá observar com alguma atenção o trabalho que vem sendo desenvolvido e algumas das suas evoluções recentes.