UMA ESCOLA É UMA FLORESTA, É UM ESCOLA
FERNANDA FRAGATEIRO
Escola do Porto Santo — 19.06. - 26.09.2026

FERNANDA FRAGATEIRO


UMA ESCOLA É UMA FLORESTA, É UMA ESCOLA

INAUGUA A 19.06.2026 — 15h
ESCOLA DO PORTO SANTO

Penso que a escola da vila é o lugar perfeito para perguntarmos como é que desde um pequeno lugar se pode produzir conhecimento, sobre o que temos aqui e como nos relacionamos e construímos mundo a partir deste lugar? O que podemos fazer é carregar este espaço com uma energia que pode se juntar a outras energias e influenciar a natureza das coisas que queremos que surgem.

Fernanda Fragateiro

O projeto propõe uma reflexão expandida sobre a relação entre arquitetura, paisagem, comunidade e práticas artísticas. A sua génese encontra raízes num longo percurso de colaboração de Fernanda Fragateiro com a Porta33. Em 1994, numa exposição realizada com Amy Yoes, a artista cruzava a observação das fachadas do Funchal com a ideia de muro como fronteira física e simbólica. Em paralelo, uma instalação labiríntica no Forte de Santiago convertia o espaço interior numa floresta construída com barrotes de madeira, sugerindo a permeabilidade entre o construído e o orgânico, entre a cidade e a imaginação.

A aproximação à Escola da Vila do Porto Santo, em 2022, no âmbito das residências artísticas Mapeamentos na Ilha do Porto Santo, reacendeu esta investigação sobre limites e permeabilidades. O projeto parte desse reencontro para firmar a ideia de uma escola não como um edifício isolado, mas como um organismo inscrito numa paisagem humana e natural, capaz de se deixar transformar pelas relações que acolhe. O título — uma escola, é uma floresta, é uma escola — assume a escola como um território vivo, múltiplo e em constante construção.

O eixo central da proposta assenta na utilização de materiais naturais, como a ráfia, que partilha com o palmito o mesmo parentesco botânico directo (Arecaceae, tradicionalmente designada por Palmae). Esta proximidade material e simbólica serve de ponto de partida para a criação de uma instalação destinada à cantina, concebida como uma “segunda pele” do edifício. Através de uma camada tecida que atua como forma de camuflagem, a intervenção transforma a superfície rígida da arquitectura numa estrutura táctil, porosa e vibrátil, capaz de alterar a relação sensorial com o espaço. Para além da experiência sensorial — sobretudo háptica — esta operação pretende reinscrever o lugar no imaginário da comunidade escolar, convertendo um limite num espaço de contacto e curiosidade.

A dimensão social constitui um elemento estruturante. O processo de recolha, preparação e tecelagem das ráfias através do envolvimento de comunidades locais, nomeadamente os utentes do CACI Porto Santo, valorizando saberes práticos, formas de cooperação e narrativas que os materiais naturais transportam. Este gesto aproxima práticas artesanais da construção de um espaço partilhado, onde o valor estético e o valor antropológico se reforçam mutuamente.

No seu conjunto, o projecto constitui uma proposta crítica sobre o modo como a arte pode intervir nos sistemas educativos, convocando a escola como um espaço de experimentação sensorial, de abertura comunitária e de reconexão com os materiais e ecologias que a sustentam. A escola transforma-se, assim, num organismo em contínua mutação

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