MUDAR A ESCOLA PARA MUDAR O MUNDO
AINHOA GONZÁLEZ Y CARLOS BUNGA
Escola do Porto Santo — 21.11.2025 - 29.05.2026

AINHOA GONZÁLEZ Y
CARLOS BUNGA


MUDAR A ESCOLA
PARA MUDAR O MUNDO

INAUGUROU A 21.11.2025 — 12h
ENCERRA A 30 DE ABRIL DE 2026
ESCOLA DO PORTO SANTO

O projeto é concebido como um laboratório que se desenvolve em torno dos conceitos de experimentação, colaboração, criação, jogo e pesquisa, realizado a partir do estúdio de Carlos Bunga e de Ainhoa González Graupera, em colaboração com a Porta33 e com os contributos de vários especialistas de diferentes campos disciplinares, de modo a tecer uma constelação em rede de práticas artístico-pedagógicas.

O homem não vive só de pão. Se eu estivesse com fome e desamparado na rua, não pediria um pão, mas sim meio pão e um livro. E eu ataco violentamente aqueles que só falam de reivindicações económicas, sem nunca mencionar as reivindicações culturais, que é o que os povos clamam. É bom que todos os homens comam, mas também que todos os homens saibam. Que todos desfrutem dos frutos do espírito humano, porque o contrário é transformá-los em máquinas ao serviço do Estado, é transformá-los em escravos de uma terrível organização social.

Federico García Lorca (1929)

A exposição mapeia, a partir de documentação histórica e de trabalhos de vários artistas, os cruzamentos entre criação e pedagogia que ocorrem desde finais do século XIX, mostrando de forma polifónica práticas pedagógicas alternativas que vão além das políticas oficiais e que transitam entre a arquitetura, a educação, a saúde mental e tantas outras áreas de conhecimento.
Os trabalhos mostram, por um lado, olhares individuais sobre a pedagogia (Friedrich Froebel, Alice Pestana, Rosa Sensat, Francesc Tosquelles); modelos de pedagogias radicais inseridos em instituições culturais e centros de arte (Túlia Saldanha no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra ou da Porta33, na Madeira); ambientes arquitetónicos altamente pedagógicos (Andrés Jaque/Office for Polotical Innovation, Aldo Van Eyck, Isamu Noguchi, TAKK), pedagogias sobre o território no espaço público, onde a pedagogia urbana implica ação coletiva (Elvira Leite no bairro de Pena Ventosa, projeto SAAL) bem como a contribuição de instituições que, ao assumirem riscos, transformaram os contextos educativos (como a Fundação Gulbenkian o El Circo de los Muchachos de Benposta). Estes projetos mostram referências históricas, ideológicas e estéticas que convidam a imaginar a escola do futuro, a despertar e a tomar consciência de que outro mundo é possível.

A escola não pode emancipar-se do sistema que a cria e sustenta, mas pode tornar-se um espaço emancipatório onde as pessoas aprendem a pensar criticamente, a questionar as injustiças e a construir alternativas para viverem juntas.

Mantemos em aberto a complexidade e as lacunas desta abordagem das pedagogias, que concebem a educação como um território poroso e mutável, para que o espectador também possa percorrer as suas distâncias, prestar atenção aos seus silêncios e vislumbrar os pontos cegos que a investigação deixa entrever.

A exposição apresenta obras ou projetos arquitectónicos em torno a educação de Francis Alÿs, Andrés Jaque, Nicolás Paris, Alfonso Borragán, Carlos Bunga, Jordi Ferreiro, Fernanda Fragaterio, Elvira Leite, Sara e André, Isamu Noguchi, Túlia Saldanha, Ryan Gander, TAKK, entre outros.

Ainhoa González Graupera

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Francis Alÿs (1959, Antuérpia)
Children’s Game #49: Pau de Sebo
2024
Cortesia Studio Francis Alÿs
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Carlos Bunga (1976, Porto)
Vazio. Um espaço para a imaginação,2024–2025
Instalação site-specific
Cortesia do artista

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Alfonso Borragán (1983, Santander)
Aqua Games. Buoys n.01 (Rio Llierca), 2011
Vídeo monocanal, cor, mudo, 30 min 6 s
Cortesia do artista
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Jeremy Deller (1966, Londres)
Lost Children, 2024
Impressão em papel fine art archival / cotton rag
Cortesia do artista
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Jordi Ferreiro (1982, Barcelona)
Fora-aula, 2025
Instalação, colagem
Cortesia do artista
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Office for Political Innovation – Andrés Jaque (1971, Madrid)
Reggio School, Madrid, 2022
Fotografia digital e papel impresso
Cortesia de OFFPOLINN
Túlia Saldanha
Túlia Saldanha (1930, Peredo – 1988, Trás-os-Montes)
Semana de Arte da (na) Rua
CAP – Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, 30 de maio – 10 de junho de 1976
Coordenação / produção / instalações / eventos: Armando Azevedo, Isabel Delgado, Túlia Saldanha, Luiza Saldanha, Alfredo Pinheiro Marques, António Barros, Rocha Pinto
Cortesia Luiza Saldanha
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Túlia Saldanha (1930, Peredo – 1988, Trás-os-Montes)
Documentação: Sala de descontração
1975 (instalação)
CAP Coimbra, 1976; Carlos Bunga. Habitar a Contradição, Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2025
Cortesia Luiza Saldanha

Programa para o Círculo de Belas Artes de Coimbra, 1975
Cortesia Luiza Saldanha
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Palle Nielsen
O modelo. Um modelo para uma sociedade qualitativa (1968)
Lars Bang Larsen. Barcelona: Museu d’Art Contemporani de Barcelona, 2009
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Ryan Gander (1982, Barcelona)
Blah Blah
Recycled HDPE
Created in collaboration with Combo. Toys by artist
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Fernanda Fragateiro
Jardim das ondas, 1998
Vídeo monocanal, cor, mudo, loop
Cortesia da artista

A paisagem é, 2018
Arcos de Valdevez, Portugal
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Elvira Leite
Projeto SAAL — Bairro da Pena Ventosa, 1977
13 fotografias
Cortesia Museu e Gabinete de Exposições da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto
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Curro Claret
T300, 2012
Acero
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Bruno Munari
Desenhar uma Árvore
Mântua: Edizioni Corraini, 2015 (1.ª ed. 1978)
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Isamu Noguchi
Estudos para equipamentos de parque infantil (esculturas para brincar)
Provavelmente para o Parque Moerenuma, Sapporo, Japão, s/d
The Noguchi Museum Archives, 02031
© The Isamu Noguchi Foundation and Garden Museum, New York / ARS, New York

Playground for Kodomo No Kuni (Children's Land)
1965–66
Design exterior
The Noguchi Museum Archives, 00589. Fotógrafo desconhecido
© The Isamu Noguchi Foundation and Garden Museum, New York / ARS, New York

Playground for Kodomo No Kuni
1965–66
Design exterior
The Noguchi Museum Archives, 02012. Fotógrafo desconhecido
© The Isamu Noguchi Foundation and Garden Museum, New York / ARS, New York
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Nicolás Paris (1977, Bogotá)
Jardín portátil, 2009–presente
Lápis
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Rael San Fratello (1971, EUA)
Teeter Totter, 2021
C-print
Cortesia Rael San Fratello Studio
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Sara & André (1980, 1979, Lisboa)
L de Liberdade, 2018 (2.ª edição: 2022)
Serigrafia Mike Goes West
Cortesia dos artistas
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TAKK / Mireia Luzárraga + Alejandro Muiño
La habitación de Pina, Barcelona, 2025
Colaboradores: Roger Monfort, Berta Ribaudí
Cliente: Vasto Gallery
Fotografia: José Hevia
Cortesia Mireia Luzárraga e Alejandro Muiño
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TAKK / Mireia Luzárraga + Alejandro Muiño
La habitación de Roma, Barcelona, 2024
Colaboradores: Roger Monfort, Berta Ribaudí
Cliente: Privado
Fotografia: José Hevia
Cortesia Mireia Luzárraga e Alejandro Muiño

VAZIO. UM ESPAÇO PARA A IMAGINAÇÃO

A imaginação desempenha um papel importante na busca pela verdade, pois o seu ponto de partida é a ausência. “O que nos falta?” Esta pergunta abre um vazio e interrompe o jogo da representação.

Marina Garcés.

Carlos Bunga cria uma instalação site-specific que responde à localização e à arquitetura de Chorão Ramalho. Ele procura esbater as fronteiras entre brincadeira e trabalho, observação e experimentação, arquitetura e pintura, tempo e espaço, e gerar uma troca de conhecimento através deste gesto minimalista, que consiste em ocupar o espaço vazio nas paredes, não só fisicamente, mas também com a imaginação, criando módulos para as portas retangulares, janelas quadradas que podem ser usadas como tijolos para completar a parede como uma pintura abstrata, mas também como bancos de onde se podem contar histórias, peças de mobiliário para iniciar o jogo simbólico dos mais pequenos e muitas outras possibilidades quando os blocos estão livres da parede e totalmente funcionais. Este trabalho serve como ponto de partida; Bunga cria as peças do jogo a serem ativadas, aprimorando não apenas as habilidades criativas, mas também as emocionais, físicas, sociais e cognitivas: ruídos, olhares, sorrisos, sons, movimentos, encontros e mal-entendidos darão origem a uma cadeia de novas situações de troca de conhecimento intergeracional

BIOGRAFIAS

Ainhoa González Graupera vive em Barcelona. Foi, de 2006 a 2016, vice-curadora da colecção permanente do Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (MACBA). Depois disso, colaborou com o CIMAM para o encontro anual em Barcelona. Desde 2015 é professora de Gestão de Artes Visuais na Universitat Internacional de Catalunya (UIC). É assistente do «Carlos Bunga Studio».
Colabora com o «Archive of Archives by Muntadas». A proposta surge da observação da arquitetura preexistente do arquiteto Chorão Ramalho, o contexto único da ilha de Porto Santo e a vontade de propor uma proposta intrínseca para o lugar e seus habitantes.

Carlos Bunga é um artista plástico português nascido no Porto em 1976. Em 1978, mudou-se com a família para o Forte de Peniche, transformado em centro de acolhimento para refugiados, residindo lá por cinco anos antes de se mudarem para habitação de proteção oficial na mesma área. Em 1998, iniciou os estudos de Belas-Artes na Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha. Em 2003, foi distinguido com o Prémio EDP Novos Artistas e, no ano seguinte, participou na Manifesta 5, em San Sebastián, Espanha, marcando sua estreia em exposições internacionais.
Atualmente, Bunga reside e trabalha em Barcelona. Sua obra caracteriza-se por instalações de grandes dimensões construídas com materiais simples e efémeros, como cartão, fita adesiva e tinta doméstica, questionando a arquitetura como linguagem de poder e explorando temas como migração e identidade. Ao longo de sua carreira, realizou diversas exposições individuais e coletivas em instituições renomadas, incluindo o Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madrid, e a Schirn Kunsthalle, em Frankfurt.

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