CATARINA DE OLIVEIRA
PORTA33 — 25.03.2023 — 29.04.2023
AREIA
Exposição de [exhibition by]
CATARINA DE OLIVEIRA
O trabalho de Catarina de Oliveira nasce do seu interesse na forma como as histórias e imagens nos
confrontam com a vida, e retratam o mundo com mais verdade do que a nossa apreensão da realidade.
Elas capturam o visível e o invisível, cristalizando-os numa verdade eterna, independente de
flutuações, alterações e falsas mudanças que criam máscaras e véus. Tal como um cristal, uma obra de
arte está sujeita à erosão, mas isso não significa que a verdade se dilua na mudança. Através de
contos, pinturas em tecidos e outras experiências plásticas, a obra de Catarina de Oliveira torna
visível e audível o que de outra forma não seria visto nem ouvido, poéticamente revelando como a
vida humana está entrelaçada por fios invisíveis à não-humana, à mítica e às entidades
elementais.
Olhando para a natureza não como uma fonte de recursos a serem consumidos, a artista reconhece que a
natureza não é algo separado dos humanos e despido de espírito, e cria com o seu trabalho, formas e
composições que abraçam temporalidades, ontologias, epistemologias e cosmologias que existam fora de
modos de viver e pensar colonialistas, capitalistas, normativos, falocêntricos ou tirânicos. O
trabalho de Catarina de Oliveira celebra os diferentes planos da vida e reconhece a agência e
inteligência de todos os seres e não seres, sejam estes rochas, fantasmas, rios, estrelas, plantas
ou animais.
As personagens presentes no seu trabalho são (fantasmas de) animais e plantas — não são nem
metáforas nem personificações de humanos —, a artista retrata-os respeitando a inteligência,
sensibilidade e corporalidade especificas a cada um. Eles ganham vida através de um diálogo contínuo
entre eles, a artista e a matéria que sustém o trabalho.
Catarina de Oliveira vive e trabalha em Lisboa. Em 2009, completou a licenciatura em Artes Plásticas da Goldsmiths College (UK), e em 2012 o mestrado em Artes Plásticas do Piet Zwart Institute (NL). Esteve recentemente em residência na Escola do Porto Santo/Porta 33 (PT), Residency Unlimited em Nova Iorque a convite do Atelier-Museu Júlio Pomar, e na Gasworks, em Londres, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian. Foi também artista em residência na Triangle France (FR), no Watermill Center (EUA) e na Kunsthuis SYB (NL), entre outras. Das exposições individuais recentes, destacam-se “Lavradas Na Lua, Com O Sol.” na Quinta de Ventozelo (PT); “A Temperança e o Louco” no CAV – Centro de Artes Visuais (PT); “O Fogo Anseia Arder”, na Monitor Lisbon; “A Devorar o Contíguo” na Galeria Quadrum (PT); e “Né” no TANK Art Space (FR). Mostras colectivas recentes incluem a mostra da performance “Ao Escapar o Meu Cadáver” no Festival Cumplicidades na Culturgest (PT); “Extática Esfinge” no CIAJG (PT); “Gorsedd” na Artlicks (UK); “Terra Nubilus” na Aachen Kunstverein (NL); “Performance Day #2: Le Musée Permormé” em La Ferme du Buisson (FR).