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PEDRA SOL de Carolina Vieira
Encerramento da exposição

com uma conversa com a artista e Isabel Carlos
sábado, 11 de Maio, às 18h na Porta33

PODCAST

Para o encerramento da exposição PEDRA SOL da artista madeirense Carolina Vieira, a Porta33 promove no sábado, 11 de Maio, às 18h, nas suas instalações na rua do Quebra Costas, desta cidade do Funchal, uma conversa com a artista e Isabel Carlos uma das principais contribuidoras para o estudo e divulgação da arte contemporânea, na qual estará presente o Secretário Regional de Turismo e Cultura Dr. Eduardo Jesus.

PEDRA SOL, exposição individual de Carolina Vieira insere-se no trabalho de investigação que a Porta33 tem vindo a operar no Porto Santo, no qual entre as suas valências a Porta33 desenhou o programa expositivo e editorial intitulado EIRA—contributos para a Escola do Porto Santo e o seu território, com coordenação de Nuno Faria, director do Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva.

O projecto EIRA tem como epicentro a Escola do Porto Santo, mais conhecida como a “Escola da Vila”, e parte de um conjunto de residências artísticas aí realizadas, unidas pelo mesmo propósito: mapear visualmente, materialmente ou sonicamente o território circundante.

O projecto da Porta33 para a Escola do Porto Santo, iniciado em 2019, resulta de uma parceria com o Governo Regional da Madeira, o Município do Porto Santo e o Plano Nacional das Artes. Tem o apoio financeiro da Secretaria Regional de Turismo e Cultura, do Programa de Apoio Sustentado na área das Artes Visuais — Criação e Programação da Direção-Geral das Artes/Ministério da Cultura e da Câmara Municipal do Funchal.

Nas obras apresentadas nesta exposição que agora se encerra, é sensível que a experiência de Carolina Vieira vai além do período intermitente passado em residência na Escola do Porto Santo entre 2022 e 2023. Como escreve Nuno Faria, estas “foram produzidas a partir de estadas prolongadas na Escola do Porto Santo e de um alargado conjunto de incursões no território, diverso e fascinante, da Ilha.” A artista tem tido a oportunidade de regressar lá muitas e muitas vezes, e de imergir nela em diferentes horas, estações, condições.

De forma a traduzir o território da ilha para a linguagem sensível e matérica da Pintura, sua linguagem artística por excelência, o mapeamento de Carolina Vieira, objeto da exposição, focou-se, nas sua palavras, “na intensa diversidade geológica e material do Porto Santo onde, através de percursos a pé, de registos gráficos e recolha de materiais rochosos e vegetais (estes últimos transformados em pigmentos, após moagem e filtragem) foi surgindo a gama cromática daquele lugar”.

Como conta Nuno Faria, Carolina Vieira “faz, justamente, parte de uma linhagem de artistas que operam a partir de uma atenção particularmente aguda ao mundo sensível. A artista trabalha com os elementos, com os materiais telúricos e com os fenómenos meteorológicos: a incidência de um raio de sol sobre um plano de água, os diferentes matizes da terra, o ponto de encontro entre o mar e o céu, jogos de nuvens, as texturas e as colorações térreas, o som do vento”.

Na ocasião o Secretário Regional de Turismo e Cultura e os responsáveis da Porta33 apresentam algumas considerações do projecto, resultante da parceria mencionada com o Governo Regional da Madeira, que tem vindo a ser desenvolvido no Porto Santo no qual a temática da patrimonialização material e imaterial, natural e cultural e a consequente necessidade de conhecimento sobre questões ligadas à memória coletiva capazes de manter valores simbólicos e ligações sociais ativas, constituem as principais linhas do projecto que a Porta33 continuará a desenvolver ao longo de 2024, naquela ilha.

Tendo como foco principal estimular a participação ativa das comunidades, o projeto tem como objetivo específico salvaguardar o acesso dos cidadãos à fruição artística e produção cultural gratuitas, assegurando a centralidade das artes e do património regional na formação ao longo da vida, estimulando ações colaborativas entre agentes artísticos de vários territórios e nacionalidades, envolvendo a comunidade educativa e outros intervenientes, desenvolvendo capacidades, empoderando e agindo com base em princípios de entendimento das valências territoriais para a sustentabilidade ambiental, acessibilidade e inclusão em conexão com os valores culturais e de cidadania europeus consequentemente democráticos e universais.

Carolina Vieira, Funchal, 1994. Licenciada em Artes Plásticas pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e Mestre em Pintura pela mesma instituição. Assistente da direção artística e serviços educativos na PORTA33 desde 2019. A sua prática artística utiliza a paisagem para explorar aspetos materiais da própria pintura - composição, forma, transparência, luz e cor – e por ser uma linguagem que permite trabalhar conceitos imateriais como o sublime, através da construção de imagens que podem ser lugares imaginados ou reais. Imagens que usam a paisagem como intenção ou como narrativa. Expõe desde 2015, destacando-se as exposições individuais Tudo o que foi / tudo o que será (2023), na Capela da Boa Viagem - Núcleo Difusor de Arte e Cultura Contemporânea e Alumiar (2020), na Galeria do Mudas – Museu de Arte Contemporânea da Madeira e as coletivas The Other Side of the Moon (2023), no Buchheim Museum, Na Margem da Paisagem Vem o Mundo (2021), no Pavilhão Branco – Galerias Municipais de Lisboa, O Sol Marca a Sombra (2021), no Museu de História Natural do Funchal e Ilhéstico – Um roteiro de Arte Contemporânea para a cidade do Funchal (2019), na PORTA33.

Nuno Faria(Lisboa, Portugal 1973), é curador independente e director do Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva, é professor na Escola Superior de Design das Caldas da Rainha e na Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa. Trabalhou no Instituto de Arte Contemporânea do Ministério da Cultura de Portugal (1997-2003) e na Fundação Calouste Gulbenkian (2003- 2009). Viveu e trabalhou no Algarve entre 2007 e 2012, onde fundou (Loulé, 2009) o projecto Mobilehome — Escola de Arte Nómada, Experimental e Independente. Foi director artístico do Centro Internacional das Artes José de Guimarães, em Guimarães (2013-2019) e do Museu da Cidade do Porto (2019- 2022).

Isabel Carlos é licenciada em Filosofia pela Universidade de Coimbra e mestre em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa com a tese «Performance ou a Arte num Lugar Incómodo» (1993). Crítica de arte desde 1991. Assessora para a área de exposições de Lisboa’94 – Capital Europeia da Cultura. Foi co-fundadora e subdirectora do Instituto de Arte Contemporânea, tutelado pelo Ministério da Cultura (1996-2001). Foi membro dos júris da Bienal de Veneza (2003), do Turner Prize (2010), The Vincent Award (2013), entre outros. Co-seleccionadora do Ars Mundi, Cardiff (2008). Entre 2009 e 2015 foi directora do CAM_Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.
Entre as inúmeras exposições que organizou e catálogos que publicou destacam-se: Bienal de Sidney «On Reason and Emotion» (2004), «Intus» de Helena Almeida, Pavilhão de Portugal, Bienal de Veneza (2005), «Provisions for the Future», Bienal de Sharjah (2009). Antológica de Paulo Quintas “Todos os Titulos Estão Errados” no Torreão Nascente da Cordoaria em Lisboa em 2018.
Em 2023 organizou a retrospetiva e catálogo completo das obras de Luisa Cunha, “Hello, Are you There” no Maat em Lisboa e a antológica de Helena Almeida “Fotografia Habitada” no Instituto Moreira Sales em São Paulo. Já este ano, “Aquém e Além da Abstracção” no Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva e “Estou Aqui” com obras de Leila Gediz, Raija Malka e Luisa Cunha no Marvila Studios, ambas em Lisboa.